5 coisas que aprendemos na primeira semana do Open da Austrália

5 coisas que aprendemos na primeira semana do Open da Austrália

Por admin - janeiro 25, 2016

A primeira semana do Open da Austrália chegou ao fim e para trás ficaram muitos encontros memoráveis e pontos fantásticos. Cabeças-de-série a irem embora, estreantes em Grand Slams a somar vitórias históricas e os muitos milhares de pessoas que completam as bancadas de Melbourne Park são apenas alguns dos ingredientes que todos os anos completam o Happy Slam, o torneio favorito de muitos jogadores.

Terminada a semana, estivemos a rever os muitos textos que fomos publicando no Bola Amarela e chegamos a algumas conclusões,

1 – Sim, a corrupção existe. E já está na hora de combatê-la

Esta era uma realidade que muitos desconheciam e, mesmo quem estava a par do assunto, preferia não falar dele. Se foi intencional ou não, a verdade é que o BuzzFeed e a BBC esperaram pelo primeiro dia do Open da Austrália para divulgar os resultados de um ano de investigação que os levaram até aos Fixing Files, uma série de documentos com dezenas de nomes de suspeitos por resultados combinados no ténis. E nem Wimbledon está fora da rede.

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Chris Kermode recusou acusações de encobrimento de provas

Andy Murray, Rafael Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic, que até foi acusado de ter sido aliciado para perder um encontro em 2007, falaram sobre o caso sem tabus, algo que não era muito habitual até esta semana. Fala-se até em corrupção num encontro desta semana, nos pares mistos. Ainda vamos ouvir falar muito sobre este caso em 2016.

2 – Um dos jogadores mais amados abandonou o ténis

Lleyton Hewitt é acarinhado por grande parte dos apreciadores de ténis e o seu espírito viking sempre foi uma fonte de inspiração para os mais jovens, incluindo Nick Kyrgios e Thanasi Kokkinakis. O antigo número um do mundo e campeão de dois títulos do Grand Slam abandonou a carreira de jogador e, apesar da derrota para Ferrer, Hewitt foi a estrela do court até ao fim.

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Foto: Getty

“Resta-nos a certeza de que para a história fica uma mão-cheia de momentos memoráveis do campeão de dois títulos Grand Slams, 30 troféus ATP e duas Taças Davis”, dissemos nós, ainda antes de o australiano ter recebido uma autêntica ovação com os seus três filhos ao seu lado nos últimos momentos como jogador profissional. Mais para ler aqui.

3 – O ténis continua a ser um desporto com muito fairplay

É hábito para todos os fãs de ténis ouvir um finalista vencido congratular o campeão de um torneio durante o seu discurso, e a primeira semana do Happy Slam veio trazer ainda mais provas de que o desporto fica muito mais bonito quando é praticado com fairplay e respeito pelo adversário.

Logo nos primeiros dias, John Millman mostrou uma honesta preocupação com Diego Schwartzman, o seu adversário que teve de desistir por ter tido dificuldades em lidar com o calor. O excelente fairplay de Dominic Thiem, que entregou um ponto a David Goffin, também esteve em destaque no Facebook do “Bola Amarela”, com o vídeo do momento a ultrapassar as 20 mil visualizações.

Gesto bonito! Dominic Thiem deu um ponto a David Goffin pois disse que já teria devolvido a bola antes da chamada, que foi erradamente dada como bola fora. Mereceu aplausos do estádio inteiro.
Posted by Bola Amarela on Thursday, January 21, 2016

Mas quem leva para casa a medalha de ouro é Jo-Wilfried Tsonga, que interrompeu o encontro para ajudar uma apanha-bolas em lágrimas depois de ter sido atingida com uma bola na cara. O vídeo já soma quase quatro milhões de visualizações no YouTube. Não há como não ficar orgulhoso.

4 – Poderá estar aí a vir mais uma grande temporada para João Sousa

Foi absolutamente fantástica a forma como João Sousa honrou a bandeira de Portugal em Melbourne Park. Apesar da derrota precoce nos pares, o número um nacional chegou à terceira ronda em singulares e só caiu perante um Andy Murray em forma – e não antes sem roubar um set ao britânico, algo que nenhum outro jogador tinha feito até ao momento.

E como é que se fecha um dos encontros mais importantes da carreira? WINNER DE DIREITA, WINNER DE DIREITA, ÁS, ÁS. Como alguém diria… “Limpinho, limpinho”.
Posted by Bola Amarela on Wednesday, January 20, 2016

João Sousa ficou contente com o alto nível com que se exibiu durante o duelo com o número dois mundial e reafirmou o resultado não reflete o que realmente aconteceu dentro do court. Mantendo este nível, deverá ser apenas uma questão de tempo até o vimaranense escalar ainda mais no ranking e, quem sabe, aumentar a conta de títulos ATP do seu palmarés.

5 – Números, números e mais números

Os recordes servem para serem quebrados, e a carreira de um jogador de topo também se faz se muitas estatísticas. Perdeu a conta ao número de estatísticas relevantes que foram estabelecidas nos primeiros dias do Grand Slam australiano? Ora vejamos.

sharapova

O bolo das 600 vitórias

600

Vitórias de Maria Sharapova no circuito profissional após o triunfo sobre Lauren Davis. Foi a 17.ª jogadora na história a atingir esta marca.

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400

Vitórias atingidas por Stanislas Wawrinka a nível profisisonal. Gael Monfils quebrou também a barreira dos 350 triunfos.

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300

Vitórias em torneios do Grand Slam de Roger Federer depois da vitória diante de Grigor DimitrovApenas Martina Navratilova tem mais vitórias (306) do que o suíço.

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100

Erros cometidos por Novak Djokovic no encontro da quarta ronda, frente a Gilles Simon. O sérvio diz não se lembrar de ter atingido alguma vez este valor no passado.

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90

Winners de Fernando Verdasco durante a eliminação de Rafael Nadal, uma das surpresas deste torneio.

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31

Ases disparados por Krystina Pliskova frente a Monica Puig, um recorde absoluto no circuito feminino para apenas um encontro.

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0

Vitórias de Zhang Shuai em 14 torneios do Grand Slam em que participou até chegar ao Open da Austrália. A chinesa de 27 anos – completados na passada quinta-feira – surpreendeu tudo e todos ao eliminar Simona Halep, Alize Cornet, Varvara Lepchenko e Madison Keys. Nada mau para uma primeira vez.