Djokovic defende a WTA: «É o desporto feminino mais bem-sucedido e o mais bem pago, e tenho orgulho nisso» - Bola Amarela Brasil

Djokovic defende a WTA: «É o desporto feminino mais bem-sucedido e o mais bem pago, e tenho orgulho nisso»

Por Rodrigo Caldeira - março 10, 2026

Novak Djokovic avançou, não sem dificuldades, para mais uns oitavos de final de um Masters 1000. O sérvio está a superar todos os seus desafios no deserto californiano, mas não sem antes levar o seu corpo ao limite; hoje não foi diferente, frente a Aleks Kovacevic, que mostrou muito pundonor, mas que não teve resposta para o ténis do sérvio nos momentos decisivos do encontro, especialmente num final de terceiro set em que Novak recorreu à sua garra e experiência.

É mais uma vitória que prolonga a sua estadia em terras norte-americanas, mas uma muito especial, num jogo frente a um dos poucos tenistas de ascendência sérvia no circuito. Antes de encarar o que poderíamos considerar a segunda semana de competição, o momento foi ideal para que o “Djoker” se sentasse na conferência de imprensa e comentasse alguns temas da atualidade do circuito.

IGUALDADE DE GÉNERO NO DESPORTO 

“Não se trata do que eu penso: é um facto. É um facto que o ténis feminino tem sido, de longe, o desporto feminino mais bem-sucedido a nível global, além de ser o mais bem pago, por isso é algo fantástico. Estou contente e orgulhoso por isso ser assim. Acho que o ténis feminino está numa posição muito boa”.

VITÓRIA FRENTE A KOVACEVIC 

“Não somos muitos no circuito (em referência a jogadores com ascendência sérvia). É ótimo ver o Aleks, que me parece uma pessoa fantástica e com quem me dou muito bem, alguém com essas raízes sérvias, toda a sua família. Treinamos bastante juntos e damos-nos muito bem. Só nos tínhamos defrontado uma vez antes deste jogo, e em terra batida.

Vi alguns dos highlights dos seus jogos neste torneio: estava a sentir a bola muito bem, com um batimento muito limpo. Não me lembro de enfrentar alguém que não seja assim tão alto (tem boa altura, mas não é altíssimo) e que consiga servir com tanta precisão, encontrando os cantos. Foi incrível.

Talvez hoje não tenha sentido muito ritmo na resposta ao serviço durante todo o jogo, mas ele complicou-me bastante a vida. Muitos ases, muitos pontos gratuitos. Disse-lhe isso mesmo na rede: teve uma exibição impressionante ao serviço hoje, e sei que está no caminho certo.

Sempre gostei muito da forma como ele joga ténis. Tem um revés a uma mão, algo que não é tão comum hoje em dia. Muito talento, grande batimento de bola. O que acho que lhe faltou nos últimos tempos foi consistência, cometia muitos erros não forçados, mas penso que tem conseguido reduzi-los. Conheço o treinador dele, sei que trabalhou com o Tiafoe e outros jogadores, e vejo que o que estão a fazer está a dar resultados.

Assinou grandes vitórias esta semana e hoje senti que o jogo podia ter caído para qualquer lado até aos últimos pontos. No último jogo falhou alguns primeiros serviços, deu-me oportunidades com os segundos e eu aproveitei. Não há muito mais a dizer. Foi um jogo muito imprevisível até ao final”

DEFINIÇÃO DE “TENNIS IQ “

“Para explicar de forma simples, trata-se de encontrar uma maneira. Encontrar soluções, uma forma de te impor. A inteligência tenística pode ser descrita de várias formas. Eu valorizo muito a adaptabilidade, a capacidade de ter um jogo muito completo.

A inteligência tenística que se vê em campo em cada jogo depende muito, pelo menos no meu caso e na forma como vejo a evolução do meu ténis, do que fazes antes de entrar em campo: quão diligente és na tua atitude todos os dias, se consegues alimentar esse pensamento de tentar melhorar constantemente, em vez de simplesmente te apoiares nos teus pontos fortes e esperar que as tuas fraquezas não sejam expostas.

Acho que se trata de uma atitude diligente, holística e multidisciplinar: é isso que acaba por definir a tua inteligência tenística. Quando tens muitas armas, sentes-te mais confortável a encontrar soluções.

Quando bates contra uma parede a nível mental ou não estás satisfeito com a execução do teu plano A ou do teu plano B, tens de ter um plano C, D, E, F, seja qual for. Tens de te adaptar a cada jogador, a cada superfície, às condições.

Claro que é mais fácil dizê-lo do que fazê-lo: precisas de anos de desenvolvimento e crescimento se falarmos do mais alto nível. Há jogadores que têm mais talento do que outros e talvez alguns ultrapassem os problemas com mais facilidade, mas aquilo a que me refiro é à regularidade, à capacidade de o fazer durante muito tempo, para ter uma carreira longa e bem-sucedida.”

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.