Draper antes de enfrentar Djokovic: «É o desafio definitivo» - Bola Amarela Brasil

Draper antes de enfrentar Djokovic: «É o desafio definitivo»

Por José Morgado - março 10, 2026

Depois de ultrapassar a lesão no braço esquerdo que o manteve afastado do circuito durante seis meses, Jack Draper apurou-se para os oitavos de final do Masters 1000 de Indian Wells com uma grande vitória frente a Fran Cerúndolo. O seu próximo adversário será Novak Djokovic, a quem elogiou e que classificou como o melhor tenista de todos os tempos.

ENFRENTAR NOVAK 

“Novak é o desafio definitivo. Para mim, é o melhor tenista de todos os tempos. Tenho imenso respeito por ele, pelo que fez e pelo que continua a fazer. Este é o tipo de jogos para os quais trabalho e me esforço tanto. É um dos meus primeiros torneios desde o meu regresso e já estou a jogar contra ele, por isso será um grande desafio”

PREPARAÇÃO PARA O ENCONTRO 

“Amanhã tenho o dia livre para me preparar para isso. Hoje foi uma exibição razoável e estou satisfeito com a forma como joguei, especialmente no primeiro set. O segundo set foi um pouco irregular, algo instável, mas as condições eram difíceis e consegui dar a volta e jogar bem quando precisei. Estou ansioso por quarta-feira. Na verdade, não vi muitos dos jogos do Novak recentemente, mas sei o que posso esperar dele. Tenho-o visto jogar desde que era jovem”

“Obviamente, acho que é o melhor tenista de todos os tempos, na minha opinião. A sua mentalidade e o seu nível de ténis são sempre incrivelmente altos. Vou ter de jogar muito bem e aproveitar as minhas oportunidades, mas, acima de tudo, estou muito grato não só por estar aqui, mas também por ter a oportunidade de jogar contra estes jogadores, continuar a melhorar o meu nível e dar a mim próprio outra oportunidade de competir nos palcos onde quero estar”

NÍVEL FRENTE A CERUNDOLO 

“Sem dúvida saí a sentir-me melhor em relação ao meu ténis e ao meu corpo. Como disse no outro dia, sempre que entrar em campo e tiver a oportunidade de jogar, estarei bem. Acho que o primeiro set foi de nível muito alto, provavelmente um 8. O segundo set foi mais um 4. Tive muitos altos e baixos. Consegui seguir em frente com alguma garra e jogar um grande ténis, especialmente quando precisei, com 5-5. É isso que procuro: ser consistente ao longo de todo o jogo. Acho que isso virá quando jogar mais partidas”

SENSAÇÕES FÍSICAS 

“Sinto-me muito bem. Provavelmente foi positivo ter jogado apenas um par de jogos no Dubai e não mais, porque assim voltei a habituar-me à competição sem sobrecarregar demasiado a carga de trabalho. Depois pude vir para aqui, treinar durante uma semana e jogar um encontro de três sets na primeira ronda, passando mais tempo em campo. Sinto-me muito, muito bem e estou com muita vontade de aproveitar esse embalo”

MUITO TEMPO LESIONADO 

“Foi difícil, porque é um desporto individual. Passamos a nossa vida na estrada, longe da família, e vivemos a um ritmo de 160 km/h, sem parar para pensar em fazer coisas normais. Quando me lesionei, fui de férias pela primeira vez em, creio, oito anos, por isso foi interessante”

“Foi complicado, porque continuei a treinar constantemente durante o período da lesão, já que no ténis, se se tira demasiado tempo de descanso, perde-se completamente a forma física e depois é muito difícil recuperar. Continuei a trabalhar arduamente. Estar em casa, rodeado pela minha família, é algo que normalmente não acontece, por isso foi muito agradável. Também passei muito tempo no Reino Unido. Adoro o Reino Unido, por isso também foi bom estar lá”

“Nada de extraordinário, na verdade. Apenas dia após dia a tentar que o meu braço voltasse a estar como devia. Não sabia quando iria poder regressar aos courts e estar forte, mas sabia que tinha de trabalhar muito e de forma consistente”

CONVERSA INTERESSANTE COM FILS 

“Sim, falei com ele no balneário. Perguntou-me como eu estava. Disse-lhe que bem e rimo-nos do tempo que ambos estivemos afastados, embora ele provavelmente tenha perdido mais do que eu. As nossas lesões eram muito semelhantes, lesões ósseas”

“Rimo-nos porque são lesões desagradáveis e nada fáceis. Não é como uma distensão muscular, em que sabes mais ou menos quando vais recuperar. É um processo muito longo. Não entrei em muitos detalhes com ele, mas imagino que tenha passado pelo mesmo que eu, porque conheço o processo das lesões ósseas e são longas e duras”

“Tenho muito respeito pelo Arthur. Acho que é um jogador incrível. Também é impressionante a forma como regressou. Está a ganhar muitos jogos, chegou à final em Doha e está a jogar bem aqui. Desejo-lhe o melhor, é um bom rapaz. Gosto de o ver jogar, acho que tem muito talento. Tem uma atitude muito boa: demonstra muita energia, é muito corajoso e compete com grande intensidade. É muito bom para o ténis francês ter um jogador como ele, sem dúvida”

 

Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 16 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: jose_guerra_morgado@hotmail.com