Kyrgios recorda final de Wimbledon: "Não é vergonha nenhuma perder para o melhor de sempre"

Kyrgios recorda final de Wimbledon: “Não é vergonha nenhuma perder para o melhor de sempre”

Por Nuno Chaves - junho 22, 2025
epa10064037 Novak Djokovic (R) of Serbia is congratulated at the net by Nick Kyrgios of Australia after winning the men’s final match at the Wimbledon Championships, in Wimbledon, Britain, 10 July 2022. EPA/KIERAN GALVIN EDITORIAL USE ONLY

Nick Kyrgios é novamente baixa para a temporada de relva por não ter sofrido uma recaída na lesão do pulso, que o afasta do melhor nível há várias épocas.

O australiano aproveitou para dar uma entrevista ao The Guardian, onde recordou os seus primeiros tempos no circuito, os problemas a nível mental e a final de Wimbledon de 2022, onde perdeu para Novak Djokovic.

WIMBLEDON, UM TORNEIO ESPECIAL

Wimbledon é uma recordação especial para mim. Foi o primeiro Grand Slam onde me destaquei e é o auge do ténis. Sempre que entro naquele recinto, sinto a energia e a aura do lugar, mas também não me sinto sempre tão confortável ali, porque não me comporto como o típico tenista. Wimbledon repara muito nisso. Sinto-me como um boneco de neve no deserto, mas gosto da experiência.

AFIRMAÇÃO CLARA

Pensei que estava no topo do mundo do ténis. Se jogas várias vezes em Wimbledon, jogas em frente ao camarote real, num court onde toda a relva tem exatamente o mesmo comprimento. Se chegas a esse palco, a jornada valeu a pena. Mudou a minha vida, mas naquela idade eu não estava preparado para assumir essa responsabilidade.

PROBLEMAS MENTAIS NO MEIO DA MELHOR FASE DA CARREIRA

Em 2019, as pessoas assumiram que tive um ano incrível. Estava entre os 20 melhores do mundo, mas foi o meu ponto mais baixo. Quando finalmente me abri, foi quando as pessoas começaram a perceber que, sim, nem sempre fui perfeito, nem sempre fiz as coisas certas, mas estou disposto a falar sobre isso. Recebi centenas de milhares de mensagens de miúdos no Instagram e tento ajudá-los da melhor forma que consigo. Estava num lugar muito negro e não melhorei logo a seguir. Durante todo o ano tive de lutar contra esses pensamentos e a autoagressão, mas consegui ultrapassar e agora tento ajudar os outros.

FINAL DE WIMBLEDON CONTRA DJOKOVIC

É algo que vou poder partilhar com os meus filhos e netos, para lhes mostrar que tudo é possível. Os campos à volta da minha casa são, na maioria, de cimento com rachas, por isso o facto de ter chegado à final de um Grand Slam é uma loucura. Foram apenas alguns pontos aqui e ali em que, se tivesse feito algo de forma um pouco diferente, poderia ter conquistado o título de Wimbledon, mas não é nenhuma vergonha perder contra o melhor de todos os tempos. Penso nisso muitas vezes? Sim. Penso no que poderia ter mudado? Sim. Podia ter-me preparado melhor? Não. Preparei-me incrivelmente bem.

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Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.