Steffi Graf: a alemã invencível que fez história e conquistou o Golden Slam

Steffi Graf: a alemã invencível que fez história e conquistou o Golden Slam

Por Tiago Ferraz - julho 27, 2020
Steffi-Graf
(Photo by Arne Dedert/picture alliance via Getty Images)

O Bola Amarela dedicou o seu tempo a relembrar todos aqueles que contribuíram para que o ténis crescesse e fosse visto com outros olhos a nível mundial e a motivação continua presente. Nesse sentido, esta segunda-feira, virámos a agulha para Steffi Graf.

Steffi Graf nasceu a 14 de junho de 1969 em Mannheim, na antiga República Federal da Alemanha, e teve os primeiros contactos com o mundo do ténis bem cedo na sua vida: aos três anos, Steffi Graf já era desafiada pelo próprio pai, Peter Graf, treinador de ténis, a brincar com a raqueta na sua sala e, caso cumprisse uma tarefa delineada pelo pai, teria uma recompensa (e que recompensa!): Graf tinha que conseguir dar 25 toques com a bola na raqueta de forma consecutiva. Se o fizesse, o pai dava-lhe um gelado ou morangos. (É uma boa motivação, não é? Eu acho que sim).

 A carreira da tenista alemã a nível profissional começou aos 13 anos quando Steffi Graf foi derrotada por Tracy Austin, antiga número um mundial, corria o ano de 1982. A partir deste momento, Steffi Graf começava a ganhar confiança em si e acreditava que poderia vir a ser um dos grandes nomes da modalidade.

As três temporadas que se seguiram foram de consolidação dentro do panorama do circuito profissional feminino, mas ainda assim não havia “fumo branco” e Steffi Graf chegou a 1984 sem qualquer título na mão. O primeiro troféu surgiu em 1984 quando Steffi Graf venceu o WTA de Estugarda, na Alemanha. Com efeito, o talento da jovem alemã subia de qualidade a olhos vistos e foi sem surpresa que a germânica apareceu aos 16 anos dentro do top 10 mundial (sexto lugar) ainda em tenra idade, no ano de 1986. Neste período, chegaram mais conquistas quando Graf foi feliz e acabou por vencer oito títulos nesta temporada.

Além disso, Graf acabou por vencer mais mais torneios, sendo que 1986 marca o ano da final do primeiro ‘major’ ainda que na variante de pares (finalista de Roland Garros ao lado de Gabriela Sabatini).

Na temporada seguinte, em 1987, Steffi Graf começava a desenhar a rota do sucesso ao vencer o primeiro troféu do Grand Slam em singulares: venceu Roland Garros em 1987 sendo que esse ano marcou ainda o acesso da alemã Steffi Graf à final de mais dois torneios do Grand Slam na variante singular: a alemã perdeu o torneio de Wimbledon ao perder com a checa e antiga número um mundial Martina Navratilova e US Open também para Navratilova nas únicas duas derrotas que teve esta temporada em singulares (acabou o ano com um registo impressionante de 75 vitórias e apenas duas derrotas). Ainda assim, a conquista de Roland Garros foi o mote para o ano histórico que viria a ser o de 1988 numa temporada que foi arrasadora.

O ano de 1988 marcou, porventura, o melhor ano de sempre da tenista alemã que teve uma temporada absolutamente ‘arrasadora’: Steffi Graf venceu o denominado ‘Golden Slam’ ao conquistar o Australian Open, Roland Garros, Wimbledon, a medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos e ainda o US Open. Este foi um feito extremamente raro. Com efeito, Steffi Graf é mesmo a única tenista que conseguiu fazê-lo ao vencer tudo o que havia para vencer a nível de majors, juntando ainda a felicidade plena conseguida nos Jogos Olímpicos. É ainda hoje a única tenista a ter conseguido chegar a este feito.

Na temporada que se seguiu, Steffi Graf era, sem dúvida, a tenista da ‘moda’ e voltou a dar nas vistas: em 1989, Steffi Graf venceu mais três torneios do Grand Slam: Australian Open, Wimbledon e US Open numa época em que, além destes, conquistou mais 11 (!) títulos.

Em 1990, Steffi Graf foi feliz no Australian Open e, nos três anos seguintes, 1991, 1992 e 1993, Steffi Graf venceu nada mais do que mais cinco títulos ‘major’ entre os quais se destacam as vitórias em Wimbledon (nos três anos), Roland Garros e o US Open ambos em 1993. Esta temporada marcou ainda a ascensão de Mónica Seles ao topo do ranking, destronando Steffi Graf que tinha estado 186 (!) semanas no topo. Esta temporada ficou ainda marcada por um episódio que chocou o mundo do ténis: Mónica Seles, uma das maiores rivais de Steffi Graf na época, estava a jogar o acesso às meias-finais do torneio de Hamburgo quando foi esfaqueada por um fã de Steffi Graf numa altura em que Mónica Seles ameaçava o estatuto da germânica e estava cada vez mais perto de se tornar na melhor tenista de todos os tempos depois de, em apenas 20 anos, ter conquistado oito (!) títulos em torneios do Grand Slam sendo que, neste ano, Mónica Seles era já, sem surpresa, a número um mundial.

Os anos de 1994, 1995 e 1996 voltaram a ser sinónimo de sucesso para Steffi Graf no que aos torneios do Grand Slam diz respeito: Graf venceu mais um Australian Open (1994), e os torneios de Roland Garros, Wimbledon e o US Open nos anos de 1995 e 1996 em mais duas temporadas absolutamente fascinantes. O último título do Grand Slam da carreira de Steffi Graf, 22.º a título pessoal, foi parar-lhe às mãos em 1999 com mais um triunfo na terra batida de paris (em Roland Garros) naquele que foi o último título da carreira. Neste torneio, Steffi Graf tornou na primeira tenista na Era Open a vencer as tenistas que compunham o top três mundial no mesmo torneio.

Steffi Graf retirou-se a 13 de agosto de 1999 quando era já número três mundial e é, nos dias de hoje, a terceira tenista de todos os tempos com mais troféus do Grand Slam: tem 22 e, neste momento, só é ultrapassada por Serena Williams, com 23, e Margaret Court, recordista absoluta, com 24 ‘majors’ conquistados ao longo da sua carreira. Destas três, a única que ainda está em atividade é Serena Williams que ainda pode, naturalmente, chegar e/ou ultrapassar a marca de Court.  Neste mesmo ano, 1999, já depois do triunfo em Roland Garros, Steffi Graf confessou que tinha uma relação com o antigo número um mundial André Agassi sendo que essa relação se mantém até aos dias de hoje (ambos casaram em 2001 em Las Vegas). Dessa relação nasceu um filho, Jaden, que pelos vistos tem uma paixão que não passa pela modalidade da bola amarela.

A nível de seleções, Stefi Graf fez parte das equipa olímpica alemã de 1988 (ano de ouro) e 1992 e também da Fed Cup nos anos de 1986 e 1987, 1989 a 1992 e ainda em 1996.

Steffi Graf fará para sempre parte da história da nossa modalidade e estamos certos que ela própria acabou por influenciar uma geração à semelhança do que fizeram René Lacoste, von Cramm e Fred Perry, Maria Sharapova, Guga Kuerten, Don Budge, Boris Becker, John McEnroe, Mónica Seles, Noah, Roland Garros, Stan Smith e muitos mais.

Jornalista de formação, apaixonado por literatura, viagens e desporto sem resistir ao jogo e universo dos courts. Iniciou a sua carreira profissional na agência Lusa com uma profícua passagem pela A BolaTV, tendo finalmente alcançado a cadeira que o realiza e entusiasma como redator no Bola Amarela desde abril de 2019. Os sonhos começam quando se agarram as oportunidades.