Mónica Seles: «A fama e o dinheiro faz-te pensar que és mais do que realmente és»

Mónica Seles: «A fama e o dinheiro faz-te pensar que és mais do que realmente és»

Por Tiago Ferraz - novembro 10, 2020
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Mónica Seles, uma das melhores tenistas de todos os tempos, escreveu uma autobiografia onde aborda vários temas da sua carreira que terminou cedo demais.

No seu livro intitulado de ‘Getting a Grip’, a antiga tenista de origem sérvia fala do peso que a fama pode ter para alguém que aos 16 anos já tinha vencido o seu primeiro torneio do Grand Slam, sendo a mais jovem de sempre a conquistar o céu na catedral parisiense. Com 19 anos, Mónica Seles tinha já oito (!) títulos do Grand Slam, mas acabou por ter um grave incidente que lhe custou, porventura, o estatuto de melhor de sempre da modalidade da bola amarela:

“Entre as sessões fotográficas para revistas, contratos comerciais de grandes quantidades de dinheiro e anúncios para a televisão comecei a desenvolver um desagradável aumento do ego que não parava de aumentar. A fama e o dinheiro numa miúda de 17 anos pode acabar no desenvolvimento de comportamentos onde pensas que és mais importante do que realmente és. O meu caso não foi uma exceção”, admite Mónica Seles.

Mónica Seles fala do que mudou quando ganhou fama no mundo do ténis:

“Os meus pais sempre fizeram um grande trabalho no sentido de me deixar sempre com os pés bem assentes no chão uma vez que o estilo de vida deles não era idêntico com todos estes momentos de glamour que me acompanhavam dia após dia. Sem querer eu, que era miúda, passei a ser uma celebridade num mundo de adultos”, ressalvou, citada pelo Punto de Break.

A antiga tenista lembra ainda os perigos que um ambiente luxuoso pode trazer a uma tenista que tinha sucesso em tão tenra idade:

“Viver num ambiente em todos têm sucesso e estão cheios de dinheiro começou a gerar uma série de maus hábitos em mim. Passei a ser esse género de pessoa que tinha o que queria e como queria”, ressalvou.

Tiago Ferraz
Jornalista de formação, apaixonado por literatura, viagens e desporto sem resistir ao jogo e universo dos courts. Iniciou a sua carreira profissional na agência Lusa com uma profícua passagem pela A BolaTV, tendo finalmente alcançado a cadeira que o realiza e entusiasma como redator no Bola Amarela desde abril de 2019. Os sonhos começam quando se agarram as oportunidades.